ARTIGO

Guilherme Campos: ‘A virada dos Correios’

O lucro alcançado em 2017 inaugura uma nova fase na história dos Correios, escreve Guilherme Campos, o ex-presidente da empresa


23 de Maio de 2018

 

 

 

Guilherme Campos, vice-presidente nacional do PSD e ex-presidente dos Correios entre junho de 2016 e abril de 2018.

 

Os Correios possuem identificação histórica com o País. Uma empresa com 355 anos e que cumpre um papel fundamental para movimentar a economia. Se ao longo dos anos impulsionou o contato de brasileiros – de pessoas, de empresas, de entidades, sob diferentes aspectos – e permitiu a conexão de um vasto território entre si, além de liga-lo ao mundo, os Correios no passado recente se desconectou de sua essência. Mas nos dois últimos anos pudemos contribuir para iniciar a superação desta realidade. Após anos seguidos registrando prejuízos, os Correios voltam a ter lucro. Foram R$ 667 milhões, de acordo com o balanço de 2017. Em 2013, foram R$ 312 milhões de prejuízo; em 2014, R$ 20 milhões; em 2015 chegou ao pico de R$ 2 bilhões; e, em 2016, após algumas medidas duras e impopulares no início da nossa gestão, houve uma queda para R$ 1,5 bilhão. Mudar a rota de uma empresa pública é um imenso desafio. É como dar uma guinada em um navio transatlântico.

Tal como ocorre quando fazemos uma reforma na nossa casa, as mudanças geraram transtornos e refletiram na qualidade do atendimento aos clientes. Os Correios hoje se veem diante do cenário desafiador: sair do mundo do monopólio postal para entrar em um mercado com concorrência, o das encomendas, que vão desde empresas pequenas regionais a gigantes multinacionais. Essa transformação, palavra que se tornou um mantra para todos os trabalhadores, era necessária e urgente para a empresa voltar a ter liquidez e, acima de tudo, retomar a confiança dos brasileiros. Para alcançar esse objetivo, uma série de mudanças foram feitas para tornar os Correios mais tecnológicos e dinâmicos.

Uma das mudanças com impacto no lucro de 2017 foi o Orçamento Base Zero. Antes, os Correios tinham orçamentos pré-estabelecidos para determinados projetos. Foi feita uma reestruturação e agora só seguem adiante iniciativas que tenham impacto de fato na eficiência e na produtividade. As estruturas dos departamentos também foram alteradas. Assim, muitos trabalhadores foram alocados para áreas com maior demanda. Foi promovida uma ampla mudança na política comercial que, em poucos meses de implantação, apresentou resultados positivos. Esta nova política aumentou o foco dos Correios no cliente, criando uma parceria de negócios com toda a assessoria logística para diversos tipos de empresas e tornou os preços das postagens de encomendas mais competitivos, principalmente nas regiões com maiores demandas, como Sudeste, Sul e Nordeste do Brasil. Também tivemos que alterar o custeio do plano de saúde, que estava plenamente de acordo na época do monopólio, mas que diante do crescimento da atividade concorrencial das encomendas não mais se sustentava.

Se não fizéssemos todas essas adequações, os Correios entrariam em colapso. Esse lucro conquistado em 2017 certamente inaugura uma nova fase na empresa. Com fôlego financeiro será possível investir na estrutura e ampliar a capacidade dos centros de tratamento e de distribuição de encomendas, adquirir mais equipamentos automatizados, que agilizam muito o encaminhamento dos objetos, e ter acesso a recursos tecnológicos mais sofisticados para rastrear encomendas e melhorar toda a parte operacional.

As organizações não podem se acomodar deixando de inovar. Isso também vale para o serviço público. Com trabalho, visão de futuro e inovação, as empresas públicas também podem crescer com sustentabilidade, se modernizarem e prestar serviços de qualidade a todos os seus cidadãos. O pior já passou, as bases estão consolidadas e os Correios estão preparados para enfrentar os desafios que vem pela frente.

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