Leonardo Attuch: A mãe de todas as batalhas

O colunista da revista ISTOÉ analisa, em artigo, o cenário político estadual para as eleições deste ano. Segundo ele, o campo está aberto para surpresas.


02 de fevereiro de 2014

Leonardo Attuck é colunista da revista ISTOÉ

Visto pelo PT, de Alexandre Padilha, como a Bastilha a ser derrubada, pelo PSDB, de Geraldo Alckmin, como uma trincheira vital a ser preservada, pelo PMDB, de Paulo Skaf, como o paraíso perdido para os tucanos 20 anos atrás, e pelo PSD, de Gilberto Kassab, como o grande sonho de consumo, o Palácio dos Bandeirantes será objeto, em 2014, da mãe de todas as batalhas. Uma guerra que talvez seja decidida fora de campo, nos bastidores, para desqualificar cada um dos postulantes à segunda caneta mais poderosa do País.

Nessa guerra, os candidatos já receberam seus disparos e a dúvida é saber quem sairá vivo da urna. O alvo mais recente foi Padilha, que está deixando o Ministério da Saúde para mergulhar na campanha. Atingido pela denúncia de que uma ONG ligada a seu pai firmou um convênio com o governo federal, Padilha demonstrou certo nervosismo. Primeiro, defendeu o contrato, mas depois decidiu rescindi-lo, atraindo críticas à direita e à esquerda. De um lado, foi criticado por só tomar tal atitude por ser candidato; de outro, por não resistir a uma suposta mentira plantada por adversários.

Atitude bem distinta tem sido a do governador Geraldo Alckmin, cujo governo é alvo há vários meses de denúncias relacionadas às compras bilionárias de trens do Metrô e de equipamentos na área de energia. Todos os secretários envolvidos continuam firmes e fortes em suas posições, enquanto Alckmin faz cara de paisagem.

Enquanto isso, nos bastidores, o PSDB atua para enfraquecer as candidaturas dos dois adversários vistos como coadjuvantes, mas que podem garantir um segundo turno. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, será acossado pela acusação de campanha antecipada e os tucanos tentarão até cassar seu registro – o que poderá vitimizá-lo. Enquanto isso, o mesmo PSDB que tenta convencer o PSD, de Kassab, a lhe entregar Henrique Meirelles como vice, alimenta o Ministério Público com denúncias sobre a Controlar e a inspeção veicular – para azar dos tucanos, que apostavam na desistência de Kassab, ele foi absolvido no principal processo relacionado ao tema.

Nesse quadro, a análise convencional prevê que a disputa paulista será decidida por Alckmin e Padilha, candidatos dos partidos que polarizam a política paulista e também nacional. Mas o campo está aberto a surpresas. Skaf, se passar ao segundo turno contra o PSDB, terá o apoio dos petistas. E caso ocorra um eventual segundo turno contra Padilha, herdará os votos dos eleitores de Alckmin. Situação parecida com a que ocorreu em 2008, quando Gilberto Kassab se elegeu prefeito de São Paulo enfrentando nomes fortes do PT e do PSDB, que eram Geraldo Alckmin e Marta Suplicy. Alckmin ficou de fora e, assim que o segundo turno começou, todos os votos tucanos caíram no seu colo. Ou seja: entre os quatro, não há claramente um favorito.

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