Áreas deixadas para abrigar parques por Kassab são invadidas na capital paulista

Gestão do ex-prefeito de São Paulo deixou 154 áreas “congeladas” para abrigar parques, plantou mais de 1,5 milhão de árvores, ampliou de 34 para quase 100 o número de parques e melhorou o ar que os paulistanos respiram.


12 de dezembro de 2014

 

Vista do Parque do Povo, na Zona Oeste, inaugurado na gestão Kassab

Vista do Parque do Povo, na Zona Oeste, inaugurado na gestão Kassab

 

Ao menos 16 áreas com previsão para virarem parques em São Paulo foram invadidas por sem-teto, informa reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta terça-feira (9). Essas áreas, segundo dados da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal, estão na periferia, região carente de espaços de lazer.

Algumas delas, segundo relatos de vizinhos, foram devastadas pelos invasores, segundo a Folha. Para transformar um terreno privado em parque, a prefeitura primeiro publica um decreto no qual considera a área de utilidade pública.

A partir disso, a área fica “congelada” por cinco anos, prazo que a prefeitura tem para comprá-la ou desistir da criação desse novo parque.

Hoje há 154 áreas nessa situação –todas decretadas sob Gilberto Kassab (PSD). Quando o decreto vence, os donos dos terrenos podem fazer o que quiserem nos locais.

Das 16 invadidas, 14 estão “congeladas”, e as duas restantes já foram compradas pela prefeitura e, na prática, são oficialmente parques.

Um dos invadidos é o terreno no Parque São Rafael, na zona leste. O único espaço de lazer do bairro, um CDM (Clube Desportivo Municipal), foi abandonado, e esse terreno ao redor acabou se transformando em favela.

A área fica no distrito de São Mateus, que está entre os menos favorecidos de áreas verdes públicas na cidade.

Tem 0,40 m² de área verde por habitante, segundo índice da prefeitura que contabiliza praças e parques –a média atual da cidade é 2,6 m².

Também na zona leste, uma área que serviria para a ampliação do Parque Municipal da Vila Sílvia foi completamente tomada por barracos há cerca de dois anos.

Para a professora Marta Dora Grostein, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, com o avanço das ações dos sem-teto, a melhor forma de impedir invasões é utilizar as áreas. “Não há invasão a parques que estão sendo usados”, afirma.

Prioridade ao verde

A gestão Kassab plantou mais de 1,5 milhão de árvores em sete anos, ampliou de 34 para quase 100 o número de parques e melhorou o ar que os paulistanos respiram, além de ampliar a oferta de lazer no município.

Entre 2006 e 2012, foram criados ainda 24 parques lineares, recuperando áreas de várzea e reduzindo a incidência de enchentes. Nesse mesmo período, o município ganhou uma média de 200 mil árvores plantadas anualmente, ou dez vezes mais que a média de plantio até 2004. A quantidade de áreas protegidas saltou de 15 milhões de metros quadrados, em 2005, para 25 milhões de metros quadrados, em 2012.

Na administração Kassab, foi feito um amplo levantamento de áreas verdes no território paulistano com objetivo de desapropriar essas áreas e transformá-las em parques municipais.

Ao longo desse processo, foram criados parques das mais diversas dimensões e um plano que permitiria à cidade contar com mais 130 milhões de metros quadrados em áreas verdes nos próximos anos.

Foram deixados ainda R$ 40 milhões no Fundo Especial do Meio Ambiente (Fema) para essas desapropriações.

 Comente!



multimídia
Vídeos
WhatsAppFacebookTwitter