Bertaiolli: o foco agora é mobilidade

Em entrevista,o prefeito de Mogi das Cruzes (SP), que é do PSD, detalha como pretende proporcionar maior fluidez aos veículos e os investimentos no transporte coletivo.


02 de janeiro de 2014

O Diário (Mogi das Cruzes)

Há exatos 36 meses do término da sua gestão à frente de Mogi das Cruzes, o prefeito Marco Bertaiolli (PSD) tem definidas as principais obras e projetos que vão fechar o pacote da sua contribuição para o desenvolvimento da Cidade, que administra desde 2009 e hoje soma mais de 400 mil habitantes e está entre os 100 municípios mais ricos do País, de acordo com o ranking do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado recentemente e que aponta R$ 8,8 bilhões em produção de riqueza no território mogiano.

Ao contrário das marcas que até então marcaram o seu governo, o principal foco para 2014 será a área de mobilidade urbana, com investimentos para proporcionar maior fluidez aos veículos, no transporte coletivo e melhorar a acessibilidade de pedestres. Isso não quer dizer, no entanto, que a saúde e educação – até então, no topo da pirâmide de prioridades – não terão mais avanços. Terão sim, e não serão pequenos, como antecipou o prefeito numa entrevista concedida a O Diário há poucos dias.

Na saúde, a maior aposta está no Hospital Municipal de Braz Cubas, previsto para começar a funcionar ainda neste primeiro trimestre. Na área educacional, a proposta é uma mudança “emblemática”, que visa colocar Mogi das Cruzes no topo da excelência profissional a partir da ampliação da jornada, e dos salários, dos professores exclusivamente para capacitação.

No planejamento para esse novo está também o avanço do programa Recicla Mogi e a tão esperada recuperação das ruas e avenidas da Cidade, que há tempos estão com a pavimentação deteriorada. A partir de janeiro e de forma ininterrupta, o prefeito assegura que o asfalto do Município todo será recuperado.

Também terão início obras grandiosas que deverão marcar esse seu segundo mandato como prefeito: a construção da passagem subterrânea na Rua Cabo Diogo Oliver, a implantação da segunda pista da Avenida Julio Simões (Marginal dos Canudos) e a abertura da Avenida Guilherme Giorgi, junto com o primeiro trecho do Corredor de Ônibus Leste-Oeste. Intervenções que integram o programa Avança Mogi, que lista as 100 obras que a Cidade terá até o final de 2016, num investimento total de R$ 1 bilhão.

Sobre o ano que acaba de terminar, o prefeito faz um balanço positivo. Além da conquista de verbas para as maiores obras que a Cidade terá, Mogi das Cruzes conseguiu se livrar do fantasma da Construtora Queiroz Galvão, que queria a todo custo implantar um aterro no Taboão, e ainda teve decretada a desapropriação da área dos Chacareiros, em Jundiapeba. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

O que esperar em 2014 da Administração Municipal?
Nosso planejamento está no programa Avança Mogi, que tem 100 obras, as quais totalizam R$ 1 bilhão e que acompanho muito de perto o andamento. Muitas dessas obras já começaram, outras estão contratadas e outras estão em projeto, mas todas elas serão concluídas nos próximos 36 meses. Estamos completando 60 meses de governo, isso significa que só mais 36 e que voam, por isso, acompanho na ponta do lápis cada uma delas. Desse pacote, a única obra que não tínhamos recursos assegurados era a passagem subterrânea da Praça Sacadura Cabral, mas que na véspera do Natal o Ministério das Cidades anunciou que será contemplada no PAC – Programa de Aceleração do Crescimento. O projeto está sendo feito e agora no começo de janeiro será apresentado, para posterior contratação da obra.

O governador Geraldo Alckmin anunciou a contratação das novas estações da CPTM [Companhia Paulista de Trens Metropolitanos] e a obra da passagem tem que andar em paralelo com os novos terminais. Nós vamos fechar ali – a Praça Sacadura Cabral – por dois anos, que é o prazo de execução dessas obras. O que posso adiantar é que a parte de cima será transformada numa grande praça, com os carros passando no subterrâneo.

Essa será a principal obra na Cidade?
É uma grande obra, mas teremos outras também muito importantes, como a Guilherme Giorgi e o Corredor de Ônibus, num investimento total de R$ 130 milhões. Essa é uma obra enorme, que vai incluir a recuperação também das Avenidas Tenente Onofre Rodrigues e Aguiar e a Cavalheiro Nami Jafet. Tem, ainda, a segunda pista da Avenida Julio Simões, que está virando um complexo viário que sai na Avenida Maurílio de Souza Leite, já no trecho final da Via Perimetral, próximo da Mogi-Bertioga.

No futuro, na altura da Avenida Japão, teremos que fazer um viaduto, uma espécie de pontilhão, com a Avenida Julio Simões correndo por baixo. Todas essas obras, incluindo a da passagem subterrânea, se conectam entre si e estamos falando de quase R$ 400 milhões. Tem também o Centro, onde vamos fazer uma obra complexa para começar a dar mobilidade. Isso que precisamos na Cidade.

Uma das principais queixas do mogiano é a qualidade do asfalto nas ruas. O que será feito quanto a isso?
Vamos entrar o ano recapeando a Cidade inteira. Nós recebemos neste final de ano os novos equipamentos, que permitirão avançar muito na recuperação das ruas e avenidas. Vamos começar pelo Centro, que está com a camada de asfalto muito judiada, e depois vamos para os bairros. Com equipamento próprio, não vamos parar mais. Será feita a fresagem, tira as capas desgastadas e coloca o novo asfalto. A Rua São João, por exemplo, nós vamos começar aqui ao lado do Largo do Carmo e vamos até o seu final, na Mogi-Bertioga [pegando os trechos da Getúlio Vargas e Carlos Alberto Lopes], porque a descida está horrível. O ano inteiro teremos asfalto sendo colocado na Cidade.

Os investimentos estão focados, principalmente em obras de mobilidade, isso significa que na saúde está tudo bem?
Avançamos muito nos últimos anos, mas ainda temos desafios. E o principal é colocar o Hospital de Braz Cubas para funcionar e é uma operação complexa porque se trata de uma estrutura com 90 leitos de internação, UTI e centro cirúrgico. Colocar para funcionar, aliás, é mais difícil do que construir. Nós publicamos o chamamento para contratar a organização social que vai administrar o hospital e saberemos quem será no próximo dia 6. Mas não vou deixar a administração somente com essa organização, vou colocar também alguém nosso, para uma administração compartilhada. Tenho que decidir quem será, mas estou tentado a deixar o secretário de Saúde Paulo Villas Boas, que é médico, à frente do hospital, e o secretário Marcello Cusatis (adjunto) tocando o dia a dia na Secretaria de Saúde. O hospital é a cereja do meu bolo. Se aquilo não funcionar direitinho, eu tenho problemas. Precisa funcionar como um relógio.

A quem diga que o hospital pode se transformar numa dor de cabeça para a Prefeitura…
Quem diz isso não sabe o que está falando. O hospital será exclusivamente para atender mogianos. Temos hoje uma rede de postos de saúde, onde as pessoas fazem as consultas, fazem os exames mas, se precisam de uma cirurgia, tem que esperar seis meses, um ano por uma vaga. Com um hospital próprio de retaguarda, de média complexidade, atenderemos tudo isso. O hospital vai funcionar via cartão SIS (Sistema Integrado de Saúde) para atender demanda gerada nos postos mogianos. Não será um hospital de portas abertas. Quem pagará a conta será a Prefeitura, o SUS e o Governo do Estado.

Estimamos começar com um gasto de R$ 600 mil/mês e, em um ano, chegar a R$ 2 milhões. O que não podemos é abrir para pronto-socorro. E, para isso, já pagamos R$ 1 milhão para Santa Casa e o Luzia acabou de  ter a sua estrutura ampliada. Além disso, vamos construir duas UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento), que vão funcionar 24 horas atendendo urgência e emergência. Elas serão em Braz Cubas e no Rodeio.

Com isso, a estrutura de saúde estará 100%?
A estrutura melhorou muito. Mas temos algumas situações que ainda incomodam. Estamos atendendo muita gente de fora, muita gente que tem convênio e o absenteísmo ainda é muito grande. Tem um grande número de pessoas que marcam consulta e não comparecem ou, então, fazem exames e não vão retirar, ou seja, não dão continuidade ao tratamento. E de ruim temos também a oncologia, que não foi acertada. É do Governo do Estado e ainda não cuidaram porque o Luzia não implantou tudo da forma como deveria. Única coisa que perdemos com o Estado é isso.

Na educação, o Avança Mogi contempla a construção de mais escolas. Teremos outras inovações além de prédios?
Teremos uma mudança emblemática e com resultados imediatos aos alunos. A nossa rede hoje conta com 1.200 professores e vamos adequar o trabalho deles à regulamentação do Conselho Nacional de Educação (CNE), com a remuneração de 1/3  a mais para atividades fora de aula, para eles se capacitarem, atenderem os pais e fazer atividades livres, como corrigir provas, preparar uma aula… Nossos professores têm cargas horárias hoje de 20 e 25 horas, que vão para 30 e 33 horas, a partir de março do ano que vem, com aumento real de salários, mas mantendo a mesma carga horária na sala de aula.

Vamos ampliar a jornada, mas eles passarão a receber oito horas a mais por semana para outras atividades.  Isso significa que teremos aumento de salário e também a contratação de mais professores para uma educação de excelência. Temos prédios, estamos construindo mais 75 e, agora, vamos investir na valorização dos professores. Serão 12 meses para adequação à jornada de trabalho que é preconizada para o Brasil. Seremos, aliás, uma das primeiras cidades do Brasil a adequar a jornada ao que preconiza a excelência da educação no Brasil.

Quanto essa mudança na educação vai custar ao Município, já que haverá aumento de salário e novas contratações?
Ainda não temos uma planilha fechada, porque todos os estudos estão em andamento, inclusive com discussões onde há a participação dos professores, diretores e coordenadores da educação. Foi criada uma comissão para o desenvolvimento deste trabalho, que será um dos grandes diferenciais na educação mogiana no ano que vem. A nova composição da jornada de trabalho do professor será paulatina, se inicia em 2013 e termina em 2016, sendo que 2/3 de sua jornada é de trabalho com alunos e 1/3 para hora de trabalho pedagógico.

Prefeito, a Cidade conseguiu se livrar do lixão que a Queiroz Galvão por 10 anos tentou implantar em Mogi. Agora, quais são os desafios para os resíduos sólidos?
A ameaça da Queiroz Galvão acabou.  Eles desistiram, inclusive, das ações judiciais. O que está acontecendo agora é que temos que investir, e vamos investir, na reciclagem. O problema que temos é tirar do lixo 50% do que é jogado fora sem necessidade. O programa Recicla Mogi está com um grande intercâmbio com a cidade de Toyama no Japão. O lixo deles já é pobre e, mesmo assim, eles conseguem retirar 20% para reciclagem. O nosso lixo é rico, então acredito que seguindo o modelo deles podemos passar desses 20%. Queremos chegar, no máximo em três anos, a ter coleta de lixo todos os dias, mas intercaladas.

Num dia passa a coleta do lixo úmido, em saco preto, e no outro, o lixo reciclável, no saco transparente. Queremos levar isso, também, para a Cidade inteira: lixo úmido, caminhão branco e verde; lixo reciclável, caminhão laranja. Acreditamos que esse é o caminho mais correto ecologicamente e que faz com que a vida útil dos aterros existentes se prolongue por muito tempo a partir do recebimento apenas do lixo que vira compostagem.

Com relação a 2013, qual o saldo que o ano deixou?
Tivemos um ano positivo. Definimos as principais obras e investimentos que a Cidade precisa fazer, com uma discussão que teve a participação popular, e fechamos o programa Avança Mogi. Mais do que isso, conquistamos verbas para a execução de obras que serão fundamentais para o desenvolvimento de Mogi e que vínhamos pleiteando há tempos. Mas, principalmente, tivemos a solução para os dois maiores problemas, os grandes fantasmas, que me acompanhavam desde o início. O primeiro era o aterro, que depois de muito tempo, a Queiroz Galvão finalmente desistiu. O outro, foi o grande presente que poderíamos ter neste final de ano, que foi o decreto de desapropriação da área dos chacareiros. Isso acaba com o maior problema social que Mogi tinha.

Quanto a 2014, além da questão das obras, teremos eleições para a Presidência da República e Governo do Estado. Como atuará?
O meu partido, por uma questão político-partidária, optou por apoiar a presidente Dilma. E, aí, temos que ser justos: Ela tem ajudado muito Mogi com verbas e projetos. Não conta muito com a minha simpatia apoiar o PT, mas é uma decisão do meu partido. No governo do Estado, todos sabem da minha relação com o Alckmin, mas temos duas eleições no âmbito estadual. A primeira é a do primeiro turno, onde todo mundo tem que apoiar o seu partido para eleger muitos deputados federais.

O meu partido deve ter o Gilberto Kassab como candidato para fortalecer a legenda. Mas o que conta para governador mesmo é o segundo turno e se tivermos o PT e o Alckmin, irei de casa em casa pedindo votos. Acredito que teremos quatro candidatos mais fortes, que são Geraldo Alckmin, Paulo Skaf, Alexandre Padilha e o Kassab. Vamos ver como será o primeiro turno e o segundo turno, que é para valer, entramos pesado na eleição.

 

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