plano de governo

Saneamento básico exige gestão integrada

Reunião de apoio ao programa de governo de Felício Ramuth, pré-candidato do PSD ao governo de São Paulo, também tratou de mobilidade urbana


15 de junho de 2022

Ronaldo Camargo: “Se o Brasil atingisse a meta de 25% de perda (de água), seria possível atender 39 milhões de brasileiros em um ano”

 

Redação Scriptum

 

A gestão do saneamento básico é uma operação complexa, que exige um conjunto integrado de serviços públicos, infraestrutura e instalações em abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, além de drenagem e manejo de águas pluviais. Assim o superintendente estadual da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) em São Paulo, Ronaldo Souza Camargo, definiu o foco das políticas para o setor a partir do novo marco regulatório do saneamento básico no Brasil, em apresentação na tarde desta terça-feira (14), em mais uma reunião da série de encontros temáticos que o Espaço Democrático – a fundação para estudos e formação política do PSD – realiza em apoio à elaboração do programa de governo do pré-candidato do partido a governador do Estado de São Paulo, Felicio Ramuth. A reunião foi conduzida pelo coordenador do programa de Felicio, Marcelo Cardinale Branco, junto com o coordenador de Comunicação do Espaço Democrático, Sérgio Rondino.

Engenheiro e arquiteto, Camargo foi presidente da Empresa Metropolitana de Águas e Energia de São Paulo (EMAE), presidente da FINEP (Financiadora de Estudos, Pesquisas e Inovações do Governo Federal), vice-diretor do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) e vice-presidente do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), além de secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras de São Paulo na gestão de Gilberto Kassab.

Ele citou uma frase que ouviu há algum tempo para definir a importância do investimento em saneamento básico: “Preferimos enterrar tubos de água e esgoto para não termos que enterrar crianças”. Os números apresentados mostram a dramática situação do Brasil no setor. O País desperdiça, por exemplo, 40% da água, que se perde entre o tratamento e a casa do consumidor. “Se o Brasil atingisse a meta de 25% de perda, teríamos uma economia de 2,2 bilhões de m³ de água, o que poderia atender a 39 milhões de brasileiros em um ano”.

Os números de São Paulo, o Estado mais rico da Federação, não são menos dramáticos, segundo Camargo. Apenas 70% da população e servida por água tratada e a coleta de esgoto chega somente a 55% dos domicílios. As regiões que apresentam quadro mais complexo, em São Paulo, são o Vale do Ribeira e o litoral Norte.

 

Debate ajuda na elaboração do programa de governo do pré-candidato do partido a governador do Estado de São Paulo, Felicio Ramuth

 

A falta de tratamento de esgoto domiciliar levou a um quadro de poluição generalizada da malha fluvial paulista. De acordo com ele, apenas o rio Paranapanema não está totalmente poluído. “Até outro dia todo o esgoto domiciliar de Guarulhos, município da Região Metropolitana de São Paulo com mais de 1,4 milhão de habitantes, era despejado sem tratamento no rio Tietê”.

Um dos temas abordados por ele foi sobre a incineração de lixo doméstico, técnica que já é usada de forma eficiente, sem poluição do ar, no Japão e especialmente na China, que em 25 anos quase universalizou o sistema. “Acho que em um Estado como São Paulo é possível adotar a meta de 10% no período de quatro anos”.

Gestão do trânsito

Na outra apresentação do dia, falando virtualmente, Sergio Avelleda, diretor de Mobilidade Urbana do World Research Institute (WRI), abordou os sistemas seguros de gestão no trânsito. Avelleda, que foi presidente da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e secretário de Mobilidade e Transporte do município de São Paulo, detalhou a ideia conhecida como Visão Zero, adotada em países como Suécia, Noruega, Inglaterra, Dinamarca e Espanha. “É um sistema seguro de gestão do trânsito que tem como foco a eliminação das mortes e lesões graves, quando a visão tradicional se preocupa em resolver o risco das colisões”, disse ele.

Avelleda citou que outro ponto abordado é o fator humano. Enquanto o ponto de vista tradicional considera a imperícia e a imprudência do motorista, por exemplo, a Visão Zero admite que as pessoas cometem erros, por mais treinadas e responsáveis que sejam. E por fim há a diversidade de enfoque sobre a responsabilidade: no tradicional, ela é individual – do pedestre, ciclista ou motorista – enquanto na Visão Zero ela passa a ser de quem desenha o sistema viário.

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